Homeopatia na Gravidez

Neste artigo iremos apresentar aspectos importantes sobre o uso da homeopatia na gravidez. Confira!

A homeopatia previne e trata os pequenos desconfortos provocados pela gravidez, além de ser útil no pré-natal, e pode facilitar o restabelecimento pós-parto.

A gravidez é um período de transformação do corpo da mulher como um todo, associada à produção maciça de hormônios indispensáveis ao bom desenvolvimento da gestação.

Além de outras doenças obstétricas, que não serão tratadas aqui – e cuja prevenção exige rigoroso acompanhamento por um médico especialista – a gravidez frequentemente provoca alguns problemas sem gravidade, mas muitas vezes desconfortáveis, que podem ser aliviados com eficiência pela homeopatia. Esta também contribui para um bom pré-natal e facilita o pós-parto e a amamentação.

Tratamento Homeopático para Gestantes

O procedimento do homeopata em relação à mulher grávida é o mesmo que tem para com todos os pacientes: ele aplica um questionário detalhado à pessoa com o objetivo de determinar os sintomas individuais e identificar o medicamento adequado.

A única diferença é que a ênfase recai, especialmente, sobre o conjunto de mudanças sofridas desde o início da gravidez (alterações no comportamento, sensações, desejos, rejeição a certos alimentos, etc.).

  • Durante a gravidez

A homeopatia – que tem a vantagem de não apresentar nenhum risco tóxico para o feto – pode aliviar facilmente vários pequenos distúrbios frequentes, como enjoo, cansaço, dores nas pernas, hemorroidas, prisão de ventre, etc. 

As contrações prematuras também podem ser objeto de tratamento homeopático, paralelamente ao acompanhamento obstétrico, com tratamento alopático.

  • O pré-natal e o trabalho de parto

Um bom acompanhamento durante a gravidez permitirá que a mulher encare o parto de forma tranquila. Do ponto de vista da homeopatia, o ideal é prescrever, preventivamente, o medicamento de fundo da paciente um pouco antes do parto, durante o nascimento do bebê, se for necessário, e no pós-parto.

O medicamento de fundo é o “remédio homeopático da pessoa”, aquele que corresponde à personalidade do paciente. Ele pode mudar, ou não, ao longo dos anos, de acordo com as circunstâncias da vida da pessoa.

  • O pós-parto e a amamentação

A homeopatia pode acompanhar a jovem mãe durante o período, muitas vezes delicado, do pós-parto, auxiliando a superar a depressão passageira que muitas vezes ocorre logo após o nascimento do bebê ou a recuperar o equilíbrio do organismo após o parto. No que se refere à amamentação, há medicamentos que favorecem a produção de leite, enquanto outros podem auxiliar o tratamento de certas ocorrências como rachaduras nos mamilos e dores no afluxo de leite.

  • Cuidados com o bebê que vai nascer

As perturbações emocionais que a mulher grávida enfrenta são sentidas pelo bebê. É possível, portanto, cuidar de um bebê que está para nascer, prescrevendo um medicamento homeopático à mãe. Aliás, quando se trata de um recém-nascido, sempre se pergunta aos pais sobre como se deu a gravidez para identificar o medicamento adequado para a criança.

Atenção: Algumas manifestações que podem ocorrer na gravidez (sangramentos, aumento acelerado de peso, retenção de líquido, dor de cabeça, contrações, etc.) são sinais de problemas graves que podem pôr em risco a vida da criança que está para nascer e, em alguns casos, a da própria mãe. Diante de qualquer manifestação anormal deve-se consultar o obstetra sem demora. Para cuidar de ocorrências graves durante a gravidez, a homeopatia pode ser indicada em associação com o tratamento prescrito pelo ginecologista.

Em caso de dúvidas, entre em contato com sua médica ou médico de confiança.

Referência Bibliográfica: SERVAIS, Dr. Philippe M. (org.). Larousse da Homeopatia. São Paulo: Larousse do Brasil, 2002.

Dores de Cabeça e o Tratamento Homeopático

É difícil tratar dores de cabeça, porque são manifestações muito variadas e nem sempre os médicos acertam a medicação. A homeopatia, porém, consegue muitos êxitos. Confira neste texto como o tratamento homeopático aborda as diferentes cefaleias.

Em mais de 90% dos casos, a dor de cabeça ocorre sem relação com nenhuma causa particular. De vez em quando, identifica-se um distúrbio psicológico passageiro (tensão nervosa ou ansiedade). Mais raro ainda é a dor de cabeça constituir-se em um dos sinais de uma doença subjacente (especialmente a depressão), funcional (distúrbios digestivos, por exemplo) ou orgânica (sinusite distúrbios visuais, artrose cervical, meningite, etc.)

Os diferentes tipos de dor de cabeça

Para determinar a escolha do tratamento, os médicos homeopatas fazem a distinção dos diversos tipos de dores de cabeça, segundo suas causas e seus sintomas.

  • Dores de cabeça de caráter congestivo:

O sintoma mais característico é o paciente sentir “o sangue pulsar na cabeça”. Quase sempre essas dores estão associadas a uma afecção vascular e a um problema de hipertensão, que convém tratar.

  • Dores de cabeça “digestivas”:

Vêm acompanhadas de náuseas, vômitos, dores abdominais ou queimação no estômago.

  • Dores de cabeça “de estudantes”:

    São dores de cabeça que, em quase todos os casos, agravam-se com o esforço intelectual. Essas dores podem ocorrer tanto em crianças que frequentam a escola, quanto em estudantes adolescentes e adultos.
  • Dores de cabeça oftálmicas:

Elas se associam a vários distúrbios oculares (visão embaçada, percepção de pontos luminosos, ofuscação), podendo estar diretamente relacionadas a um dos olhos ou aos dois.

  • Dores de cabeça menstruais:

Há vários tipos de cefaleias associadas à menstruação (antes, depois, durante, quando é muito abundante, quando está atrasada, etc.).

  • Enxaqueca:

Podendo se manifestar de várias formas, a enxaqueca é um tipo particular de cefaleia forte. Normalmente, só atinge um lado da cabeça; poderá ser precedida por alteração da visão ou problemas psíquicos; sempre é acompanhada de náusea e vômito, intolerância à luz (fotofobia) e um mal-estar geral. Além do mais, pode voltar periodicamente ( a cada dois dias, a cada mês, etc.) e desaparecer sem explicação aparente. Quase sempre a enxaqueca está ligada à hereditariedade. Suas causas variam, entre elas alteração do funcionamento hormonal, do fígado ou do aparelho digestivo, alergia, distúrbio psíquico, etc.

Dores de cabeça e diagnóstico homeopático

Se você procurar um médico homeopata para tratar de sua dor de cabeça, além das questões indispensáveis que normalmente terá de responder-lhe, informe-o com precisão a respeito dos seus sintomas. Assim, ele poderá fazer uso dessas informações para identificar os seguintes aspectos:

  • causas: fatores alimentares, alergia, problemas endócrinos e psíquicos;
  • horários (dores de cabeça que acontecem durante o dia, à noite, em certa hora, etc.);
  • periodicidade, alternância ou ocorrência concomitante com outras manifestações (diarreia, tosses, etc.);
  • fatores de agravamento e de melhora;
  • irradiação da dor (nos dentes, na nuca);
  • sensações (de sufocamento, pulsação, queimação);
  • sintomas associados.

A consulta a um homeopata devido a dores de cabeça compreende, portanto, um exame clínico minucioso para descobrir se há uma eventual enfermidade que seja a causa desse mal, além do longo questionário que se faz habitualmente. Em certos casos, é fácil determinar a causa pela localização da afecção responsável (artrose cervical, sinusite, etc.), ou se o grau de gravidade (meningite). No caso de suspeita de uma doença crônica, é indispensável fazer exames complementares.

Os tratamentos homeopáticos

Como acontece com toda afecção crônica, o objetivo da homeopatia é determinar o medicamento similimum, que corresponde perfeitamente aos sintomas mais particulares do doente.

O medicamento receitado poderá fazer desaparecer a cefaleia. A consulta ao homeopata consiste numa conversa cuidadosa, complementada por um exame clínico e, eventualmente, por outros exames específicos.

Ressaltamos a importância das consultas médicas para a prescrição adequada dos medicamentos homeopáticos de acordo com as características dos sintomas e as condições de melhora e agravamento. Evite a automedicação e procure sempre um profissional de sua confiança caso tenha qualquer tipo de dúvida.

Tratamento Homeopático: Insônia, Ansiedade e Depressão

O tratamento homeopático tem notável campo de ação terapêutico para problemas psíquicos, como insônia, ansiedade e depressão. O paciente é tratado com um medicamento de fundo, salvo nos distúrbios pontuais.

Na medicina convencional, os distúrbios psíquicos são tratados com diferentes medicamentos (soníferos para insônia, antidepressivos para depressão, etc.). Cada um desses medicamentos vai agir na parte desequilibrada do organismo, de acordo com dados farmacológicos baseados na experimentação de substâncias que atuam sobre disfunções do metabolismo cerebral.

Além dos medicamentos, várias alternativas são possíveis, entre as quais a psicoterapia ou a psicanálise, terapias corporais, como quiroprática, acupuntura, shiatsu, etc. É comum que tratamentos homeopáticos sejam realizados em conjunto com recursos terapêuticos tradicionais e outras técnicas alternativas.

Enfim, o campo de atuação da homeopatia é muito grande e favorável no tratamento desses tipos de distúrbios psíquicos. Como sempre, é a partir de uma série de perguntas detalhadas, que destacam aspectos do comportamento e das atitudes do paciente desde o início dos distúrbios, que o homeopata conseguirá encontrar o medicamento certo.

Insônia

Os distúrbios do sono (dificuldade em dormir, acordar durante a madrugada, temor de que a insônia se agrave com a falta de sono, sensação de não ter dormido suficientemente ou de ter dormido mal, excesso de sono) são motivos que levam com frequência as pessoas a procurar um médico. Várias pessoas tomam medicamentos para dormir ou para não acordar muito cedo.

O tratamento homeopático

As múltiplas inconveniências do tratamento convencional podem levar uma pessoas a procurar um médico homeopata, sobretudo para se livrar desses tipo de remédio e recuperar o equilíbrio sem ajuda deles. No entanto, é importante que essa mudança seja feita com acompanhamento dos dois médicos (alopata e homeopata), pois deixar de tomar remédios é uma situação delicada. O homeopata poderá orientar o paciente sobre o estilo de vida, indicando que evite bebidas excitantes (café, chá preto e mate), tenha alimentação equilibrada e faça atividade física regular, fatores que contribuem para a retomada do sono normal.

Inúmeros são os medicamentos homeopáticos utilizados para tratar a insônia, entre os quais  Gelsemium sempervirens (para insônia antecipada por uma situação de estresse); Nux vomica (insônia por estafa em pessoas empreendedoras); Lachesis mutus (no caso de pessoa que dorme tarde e não consegue levantar de manhã por causa do sono); Arsenicum album (para pessoa que costuma acordar precisamente às 2 horas da madrugada); Sulfur (pessoa que acorda às 5 horas e não volta a dormir); Natrum muriaticum (para pessoa que acorda cedo demais e voltaria a dormir às 10 horas da manhã sem problemas). 

Ansiedade

A ansiedade é um estado emocional muito comum nas pessoas. Frequentemente ela ocorre como reação a um fator de estresse, segundo as características de cada um, em função da sua personalidade e da sua capacidade de adaptação. Ela pode se manifestar de várias formas, como medo, irritabilidade, e por diferentes sintomas físicos, como insônia, palpitações, transpiração e tremores.

 O tratamento homeopático

A homeopatia procura o medicamento correspondente à expressão patológica particular do doente. O mesmo acontecimento pode ter impacto diferente de pessoa para pessoa.

Mais de cem medicamentos diferentes podem ser prescritos a um paciente ansioso. É possível prescrevê-los paralelamente a um tratamento alopático; com a melhora, o paciente poderá progressivamente, deixar de lado os ansiolíticos. Entre os medicamentos homeopáticos indicados, citamos Arsenicum album (para pessoa agitada, que não consegue descansar apesar do cansaço, que acha que não tem cura e está próxima da morte); Bryonia alba (no caso de ansiedade que toma conta do corpo da pessoa, deixando-a agressiva com os que lhe são próximos e causando dores em qualquer movimento); Causticum (pessoa tímida, ansiosa por companhia, com a cabeça cheia de imagens pavorosas, sobretudo à noite); Phosphorus (pessoa hipersensível, principalmente inquieta com a aproximação de uma tempestade); Nitricum acidum (no caso de acessos de ansiedade, sobretudo á noite, associados à preocupação com a saúde).

Depressão

A depressão é uma perturbação do humor caracterizada pela diminuição do interesse e do prazer. Ela se associa a uma queda geral das atividades, fadiga permanente, um sentimento excessivo de culpa, alteração das capacidades de concentração, decisão e reflexão. À dor moral se associam insônia, pensamentos de morte e perda de esperança. Sintomas físicos e psíquicos persistentes podem ser o sinal de uma depressão mascarada: distúrbios digestivos, enxaquecas, fadiga crônica, voltar-se para si, perda da autoestima.

A depressão é realmente uma doença que necessita de tratamento logo no início. De fato, 20% das depressões tornam-se crônicas, muitas vezes por causa de uma decisão tardia de tratá-las; além disso, uma depressão não cuidada pode desencadear graves problemas no plano afetivo, social e profissional. Na maioria dos casos, um tratamento adequado pode perfeitamente curar uma depressão.

O tratamento homeopático

É possível recorrer à homeopatia para tratar uma depressão e, em caso de necessidade, seguir ao mesmo tempo um tratamento ortodoxo. De fato, um tratamento desse tipo altera pouco as características dos pacientes (traços estranhos, surpreendentes, não habituais). A análise desses dados permite então prescrever o medicamento específico para cada um. Num primeiro momento, a melhora do comportamento, juntamente com o desaparecimento dos sintomas, encoraja o paciente. Essa mudança na forma de ser lhe permite recuperar gradativamente a autoconfiança e a segurança. Assim, no momento propício, e com a aprovação dos profissionais da saúde, o paciente poderá abandonar os psicotrópicos.

Para tratar a depressão, a homeopatia dispõe de centenas de medicamentos. Alguns exemplos podem ser citados: Sepia succus (para paciente triste e pessimista, introvertido, amargo, eternamente decepcionado com as pessoas); Aurum metallicum (no caso de alternância de hiperatividade e sentimento de autoridade com depressão suicida); Staphysagria (para pessoa que reprime a indignação e a frustração, que se exprimem por erupções cutâneas e dores de barriga); Phosphorus (para paciente que se abate no outono e na primavera, vítima de um sentimento de vazio que se alterna com entusiasmo criativo).

É importante ressaltar que para tratar pacientes com problemas psíquicos, a homeopatia procura cuidar do paciente de forma integral, psíquica e fisicamente, segundo seus procedimentos habituais.

Em caso de dúvidas, busque sempre o auxílio de profissionais de sua confiança. Não hesite em procurar ajuda quando perceber que algo não vai bem com seu organismo. 

Referência Bibliográfica: SERVAIS, Dr. Philippe M. (org.). Larousse da Homeopatia. São Paulo: Larousse do Brasil, 2002.

Os Princípios da Homeopatia


A homeopatia é uma medicina integral que trata o indivíduo em sua totalidade. Entre seus princípios essenciais estão: a cura pelos semelhantes, a individualização dos sintomas, a consideração deles em sua totalidade e o uso de medicamentos específicos bem diluídos e “dinamizados” (isto é, agitados a cada diluição).

Em 1790, Samuel Hahnemann experimentou em si mesmo os efeitos da quinina e anotou precisamente todos os problemas que sentiu. Ele acabou fazendo o que os homeopatas chamam de “patogenesia”, ou seja, a experimentação e a demonstração em um ser humano saudável dos efeitos de uma substância. 

Várias pessoas realizam, por conta própria, o mesmo tipo de experiência. Os fumantes, por exemplo, quando experimentam seu primeiro cigarro: os mais sensíveis ficam pálidos, sentem náuseas, e seu rosto fica coberto por suor frio. 

Essas pessoas testam um medicamento homeopático bem conhecido, o Tabacum, um dos que os homeopatas prescrevem contra enjoo. Pode-se perceber a semelhança que há entre uma intoxicação pelo tabaco e os sintomas experimentados pelas pessoas que passam mal durante uma viagem de carro ou barco.

Similitude, individualização e totalidade

Na medicina homeopática, a escolha de um tratamento se faz segundo três princípios fundamentais: a lei da semelhança, a individualização dos sintomas e a consideração destes em sua totalidade. A obtenção de um bom resultado depende, portanto, do respeito a esses princípios.

  • “A cura pelo semelhante”

Para que o medicamento escolhido seja eficaz, deve provocar na pessoa sã sintomas idênticos aos que caracterizam a doença, ou, melhor ainda, deve provocar sintomas idênticos àqueles que o doente apresenta. É a chamada “lei da semelhança”, segundo a qual toda substância suscetível experimentalmente de provocar num indivíduo são e sensível uma seŕie de sintomas é capaz de curar um doente que apresenta os mesmo sintomas. Segundo o maior ou menor grau de semelhança, o resultado do tratamento será total, parcial ou nulo. Hahnemann foi o primeiro a experimentar os medicamentos num indivíduo são com objetivo de conhecer de antemão suas propriedades, sendo, portanto, o primeiro a formular e a aplicar essa lei de modo coerente e sistemático.

  • A pesquisa dos sintomas pessoais

Embora todos os pacientes que sofrem de enjoo possam sentir náuseas, nem por isso eles apresentam sintomas exatamente idênticos. Uma pessoa sente necessidade extrema de ar fresco, suas náuseas e vertigens cessam quando ela fecha os olhos, mas se agravam se ela os mexe; sem que ela possa explicar, sente alívio ao abrir a roupa sobre o peito. Uma outra vê suas vertigens aumentarem ao mexer os olhos; as náuseas acompanhadas de salivação, aumentam com o barulho e o movimento, mas sobretudo pelo fato de sentir o cheiro de alimentos ou simplesmente imaginá-los. Já numa terceira pessoa, as náuseas estão associadas à diarreia, às dores nas costas e à sensação de fraqueza generalizada. 

Embora esses três pacientes sintam náuseas, dores de cabeças e vomitem, cada um deles será tratado com um medicamento diferente: seria prescrito para o primeiro Tabacum, para o segundo Cocculus indicus e para o terceiro Petroleum

O minucioso trabalho de análise feito por todo homeopata antes de prescrever um medicamento é chamado de “individualização”; ele serve para o médico compreender os sintomas que um doente em particular apresenta.

  • A consideração de todos os sintomas pessoais

Os homeopatas chamam de “princípio de totalidade” o levantamento dos sintomas pessoais do doente. Eles tanto podem ser psicológicos, gerais (sensação de fraqueza, por exemplo) ou locais (urinários, digestivos, etc.); o que importa é que eles são sentidos pelo doente em questão. É sobre esses dois princípios – individualização e totalidade – que repousa a escolha do medicamento adequado. O homeopata os aplica a partir de uma consulta, que, por causa disso, é necessariamente longa.

O preparo dos medicamentos na homeopatia

Uma das grandes especificidades da homeopatia está na forma de preparar o medicamento: ele é altamente diluído e agitado entre cada diluição e a seguinte. 

  • A infinitesimalidade

Em homeopatia, quanto mais um medicamento é diluído, a ponto de não conter mais nenhuma molécula do princípio ativo, mais eficaz se torna.

Para não prejudicar sua própria saúde – e a das pessoas a seu redor – Hahnemann utilizou medicamentos em doses bem pequenas em suas experiências. Logo, porém, ele atingiu o limite das possibilidades de pesagem das balanças da época, mas contornou essa dificuldade incorporando uma substância neutra (água ou leite em pó) às substâncias tóxicas que iria testar. Misturando de modo perfeitamente homogêneo uma parte de substância tóxica e nove partes de substância inofensiva conseguiu reduzir à decimalidade os limites de seu material: cada miligrama pesado continha aproximadamente um décimo de produto nocivo. 

Ele constatou então que os resultados de seus experimentos não perdiam seu valor: os sintomas mais evidentes que se encontram em quase toda intoxicação (diarreias e vômitos) dão lugar a sintomas mais sutis, como por exemplo uma dor de cabeça ao se deitar à noite. É por isso que ele passou a diluir cada vez mais suas preparações, e constatou, que quanto mais esses medicamentos eram diluídos, mais eficazes se tornavam.

  • A dinamização

Hahnemann pôde perceber que, se durante a preparação os medicamentos homeopáticos não sofressem uma série de choques (as chamadas “sucussões”) após cada diluição, não produziriam o efeito terapêutico desejado. Dessas sucussões sucessivas, da qual a última é chamada dinamização, depende a eficácia dos medicamentos homeopáticos. Infelizmente, o criador da homeopatia não mencionou em nenhuma parte como descobriu o princípio da dinamização.

Segundo algumas tradições, ele teria percebido que os medicamentos que eram entregues à noite, depois de terem sido, inevitavelmente, sacudidos o dia inteiro durante a viagem por uma estrada esburacada, tornavam-se nitidamente mais eficazes. Outros defendem que Hahnemann teria intuído o procedimento ao observar o modo de fabricação do éter: uma série de choques eram de fato necessários para que ocorresse a reação química entre os elementos iniciais. A explicação do fenômeno da dinamização é hoje em dia objeto de diferentes hipóteses científicas.

Em suma, para Samuel Hahnemann, o ser vivo é uma totalidade. O corpo e o espírito estão indissoluvelmente unidos; a vida só é possível graças a uma força que permite que esse conjunto funcione de modo harmonioso: a “energia” ou “força vital”, que é imaterial, invisível e não mensurável. Destarte, a doença é resultado da ruptura de um equilíbrio, sendo, ela mesma, imaterial e não mensurável, a não ser pela observação de todos os sintomas, sobretudo e essencialmente aqueles que são específicos do doente.

Esses sintomas representam as tentativas mais ou menos bem-sucedidas do organismo de reencontrar seu estado de equilíbrio anterior, ou um novo equilíbrio, caso ele não consiga se recuperar completamente; os sintomas correspondem a sinais de estresse muito pessoais, que têm sua razão de ser, o que torna imprescindível uma visão de conjunto para se obter a cura.

Conheça melhor seu corpo e como ele funciona em equilíbrio e fora dele. Sempre priorize sua saúde e, em caso de dúvidas, consulte profissionais de sua confiança. Evite a automedicação.

Referência Bibliográfica: SERVAIS, Dr. Philippe M. (org.). Larousse da Homeopatia. São Paulo: Larousse do Brasil, 2002.

O Preparo dos Medicamentos Homeopáticos

Os medicamentos homeopáticos são preparados a partir de matérias-primas de origem vegetal, mineral ou animal, utilizadas em seu estado natural. Essas substâncias são submetidas a dois processos característicos do medicamento homeopático: a diluição e a dinamização.

Os produtos de base

Para constituir sua farmacopeia, a homeopatia recorre a todos os recursos da natureza.

  • Substâncias bastante diversas

Milhares de substâncias são utilizadas como matéria-prima para o preparo dos medicamentos homeopáticos: plantas (cebola, café, coca, sabugueiro, etc.), minerais (ouro, cobre, chumbo, ferro, mercúrio, sal marinho, petróleo, etc.), animais ou secreções animais (abelha, formiga, veneno de víbora e outras cobras, tinta de lula, etc.). 

Algumas dessas substâncias, em estado natural, são extremamente perigosas para o organismo. De qualquer forma, elas perdem toda a toxicidade nas doses ínfimas em que são prescritas pela homeopatia.

  • Substâncias muito raras

Alguns produtos só podem ser extraídos de zonas específicas do planeta: assim, entre as plantas utilizadas pela homeopatia, o cohosh-azul (Caulophyllum thalictroides) só é encontrado nas áreas montanhosas da América do Norte; a cascavel (Crotalus cascavella), cujo veneno é muito usado pela homeopatia, vive apenas nas regiões secas do México à Argentina.

  • Da matéria-prima ao medicamento

A primeira preparação realizada a partir dessas substâncias de base é a tintura-mãe. Ela é obtida ao se colocar a planta (em sua totalidade ou uma de suas partes) em contato com uma combinação de água e álcool, que é agitada de modo regular durante vários dias. Se a matéria de base é um mineral, utiliza-se ele próprio, pulando-se a etapa da tintura-mãe; o mineral é triturado em um pilão até ficar solúvel; a partir de então, são feitas as primeiras diluições. Por fim, se a substância for de origem animal, ela passará pela trituração assim como as substâncias de origem mineral. Qualquer produto resultante da trituração deve ser homogeneizado logo depois dessa primeira etapa. Três etapas posteriores são necessárias para produzir um medicamento: a diluição, a dinamização e o acondicionamento.

A diluição

Esta etapa consiste em colocar a base (tintura-mãe, produto da trituração, etc.) em contato com um diluente e, em seguida, repetir o processo várias vezes. O diluente pode ser água, álcool, sacarose, lactose ou soro fisiológico, de acordo com o caso. Dois métodos podem ser utilizados: a diluição hahnemanniana e a diluição korsakoviana.

  • A diluição hahnemanniana

Este primeiro método foi nomeado pelo próprio Christian Friedrich Samuel Hahnemann, o criador da homeopatia. A diluição hahnemanniana consiste em diluições centesimais (daí a indicação centesimal hahnemanniana, abreviada em CH, mencionada nos rótulos de medicamentos assim preparados) ou a decimal (“decimal hahnemanniana”, abreviada DH ou XH). Para realizar uma diluição a 1CH, quando se trata de uma planta, dilui-se uma parte de tintura-mãe em 99 parte de álcool a 30º (ou 99 partes de sacarose ou lactose), produzindo uma diluição a 2CH. Consequentemente, uma parte de 2CH diluída em 99 partes de álcool a 30º (ou 99 partes de sacarose ou lactose) produz uma diluição a 3CH, e assim sucessivamente. Por volta da diluição 5CH, toda substância se torna solúvel em álcool e, por isso, não precisa mais ser triturada. Entre as diluições hahnemannianas mais utilizadas estão: 5, 6, 7, 12, 18, 21 e 30CH, e 1, 3 e 6DH.

  • A diluição korsakoviana

O segundo método é chamado “korsakoviano” devido ao nome de seu inventor, Korsakov. Essa diluição consiste em preencher um frasco com a tintura-mãe ou com o pó resultante da trituração, em seguida esvaziar o frasco e conservar o que restou nas paredes e, enfim, enchê-lo com o diluente: a solução assim obtida é uma diluição a 1K. Para obter uma solução a 2K, esvazia-se novamente o frasco, conservando-se apenas o que restou nas paredes, para em seguida enchê-lo novamente com o diluente. Todas as diluições são, portanto, produzidas num mesmo frasco. No Brasil, esse método não é muito utilizado, ao contrário dos países europeus, que o empregam bastante nas dinamizações 30, 200, 1.000 e 10.000K.

A dinamização

É uma série de agitações (as chamadas “sucussões”) da mistura depois de cada diluição para favorecer o contato entre o diluente e o diluído e facilitar a transmissão da “mensagem”.

  • “Transmitir a informação”

Conforme os princípios homeopáticos, trata-se, portanto, não apenas de dissolver mas de “fazer eclodir” a informação trazida pela substância de base; a dinamização aumenta a impregnação do diluente, favorece a troca e, por meio do próprio movimento, aumenta a energia.

Atualmente, as preparações homeopáticas podem ser realizadas mecanicamente, num aparelho chamado dinamizador, que se encarrega das duas etapas, diluição e dinamização.

A forma dos medicamentos

Na maioria dos casos, os medicamentos homeopáticos são apresentados sob a forma de glóbulos (feitos à base de sacarose), ou em diluição líquida. Os tabletes e os comprimidos são preparados com lactose.

Pessoas com diabetes ou que sofram de alguma restrição em relação ao açúcar não podem usar glóbulos.

As mensagens da natureza

Na homeopatia, considera-se que cada uma das substâncias naturais usadas para fabricar um medicamento é portadora de uma “mensagem” ou “informação” que a caracteriza.

Essa “mensagem” é aquela da sua vida e da sua origem…

Assim, uma planta comunica por meio de um medicamento se é “isolada” ou “sociável”, se vive na montanha, na planície, no meio de culturas, se cresce num clima quente ou frio, é parasita ou não, tem seu pólen transportado pelo vento, pela chuva, pelos pássaros, etc. Esse mesmo raciocínio pode ser aplicado às pedras e aos animais.

Para ilustrar esse princípio, podemos usar o seguinte exemplo: para se locomover alguns metros, um animal leva de alguns segundos a várias horas; um vegetal, alguns anos ou décadas; um mineral, vários séculos…

Assim, a utilização de diluições à base de minerais permite tratar os problemas mais profundos do indivíduo, que datam de vários anos ou mesmo de várias gerações.

Ressaltamos a importância das consultas médicas para a prescrição adequada dos medicamentos homeopáticos. Evite a automedicação e procure sempre um profissional de sua confiança caso tenha qualquer tipo de dúvida.

Entre em contato conosco, se necessário, através do telefone ou e-mail e solicite o seu orçamento:

(16) 4009-9600 / 3624-1787 – injectcenterfarma@gmail.com

Referência Bibliográfica: SERVAIS, Dr. Philippe M. (org.). Larousse da Homeopatia. São Paulo: Larousse do Brasil, 2002.

A Consulta e o Diagnóstico na Medicina Homeopática

Durante a consulta, o médico homeopata procura conhecer o paciente como um todo. Ele se interessa tanto pelo problema que motivou a visita como pelas características físicas, emocionais e intelectuais da pessoa, que vão permitir a escolha do medicamento mais adequado.

Aprenda a descrever os seus sintomas

Para que o homeopata possa interpretar adequadamente os sintomas que você descreve, é indispensável que ele conheça todas as características deles. Por isso, a primeira coisa que o médico faz é propor várias perguntas relacionadas ao seu problema.

  • A localização

Indique ao médico a localização de seus problemas, a eventual extensão deles a outras partes do corpo, deslocamentos (do lado esquerdo ao lado direito do corpo, por exemplo), sua característica (difusa, ou ao contrário, bem circunscrita).

  • A descrição dos sintomas

Expresse o que você sente da forma mais simples possível. Se for uma dor, descubra como ela mais se parece: puxão, cãibra, estiramento, corte, pontada, picada, ardência, pressão, soco, molas, abalo, choque elétrico, batida, etc. Comente com o médico se sentir opressão no peito, falta de ar, tristeza, cansaço, etc.

Descreva também o modo (progressivo ou repentino) como esses sintomas aparecem e desaparecem.

  • As origens e o desencadeamento

Se puder, tente descobrir o fator que desencadeia os sintomas. Você notou se eles aparecem em condições meteorológicas específicas, após um esforço ou um período de fadiga, ou, ainda, logo depois de ter comido determinado alimento?

Os problemas apareceram depois de um acidente, doença, operação ou choque emocional (luto, medo, fracasso, etc.)? Você notou alguma ligação com a perda de líquidos (sangramentos, vômitos, diarreia, etc.)?

  • Fatores que modificam os sintomas

Um sintoma não ajuda necessariamente a estabelecer um diagnóstico, a menos que você indique em que circunstâncias ele se manifesta durante todo o tratamento.

Pergunte-se o que, regularmente, o desencadeia, agrava ou atenua:

  • hora em que apareceu ou piorou e a periodicidade (o sintoma surge a cada duas horas, um dia sim, outro não, etc.);
  • as condições climáticas;
  • movimento ou imobilidade, posição do corpo (em pé, sentado, deitado, etc.);
  • pressão, aplicação de calor ou frio; 
  • esforços intelectuais ou físicos;
  • lugar (em espaço fechado ou ao livre, etc.);
  • contato com os outros: como você reage quando está acompanhado ou sozinho, quando há ruído, risadas, música? Como reage ao fracasso e às emoções?
  • alimentação;
  • fases do ciclo menstrual na mulher, relações sexuais.
  • Fatores concomitantes ou alternados

Mesmo que aparentemente não haja nenhuma relação lógica, descreva os sintomas que se manifestam pouco antes, durante ou logo depois de um acidente ou de uma ocorrência física. Por exemplo: “bocejos e suspiros depois de uma queda”, “acessos de tosse antes de espirrar”, “uma fome imperiosa durante uma dor”, etc.

Note também seu humor, durante a manifestação do sintoma, e antes e depois dela. Por exemplo: “Eu, que geralmente sou calado, não paro de tagarelar antes das minhas dores de cabeça.” Os sintomas que se alternam com o problema que motivou a consulta também são importantes para fazer um diagnóstico. Por exemplo: “Quando tenho bronquite, não sinto mais meu reumatismo.” 

As características individuais

Uma vez precisados os motivos da consulta, o médico vai procurar conhecer você melhor por meio de diferentes perguntas sobre seu estado de saúde passado e presente, suas reações, emoções, etc. Assim como as peças de um grande quebra-cabeça, essas informações vão ajudá-lo a traçar um retrato seu. Cada médico tem seu modo de proceder, mas, seguramente, a maioria deles vai abordar os diferentes assuntos expostos a seguir.

  • Sua história
  • Que problemas sérios de saúde seus pais e avós tiveram?
  • Que eventos marcaram a gravidez de sua mãe quando ela esperava você?
  • Como foi sua vinda ao mundo (parto natural, fórceps, cesariana, etc.) e como foram seus primeiros meses de vida (doenças, falta de apetite, perturbações do sono, etc.)?
  • Quais foram os fatos marcantes de sua infância (aprender a andar, a falar, a se limpar, comportamentos peculiares, etc.)?
  • Quais são os seus antecedentes médicos (doenças, tratamentos, cirurgias, etc.)
  • Você faz algum tratamento? Qual?
  • As reações gerais do seu organismo
  • Em que momentos do dia você se sente em forma, ou, ao contrário, menos disposto?
  • Como você qualificaria sua alimentação? Tem desejo ou aversão por algum alimento?
  • Quais são as suas reações às condições climáticas, aos odores, à luz, aos lugares?
  • Descreva a sua transpiração (localização, frequência, odor). 
  • Que situações lhe dão arrepios?
  • Poderia descrever seu ciclo menstrual (o que ocorre durante a menstruação, e antes e depois dela)?

É comum que padrões e hábitos do sono, assim como o estado psíquico e do humor do paciente também sejam investigados pelo homeopata. Por isso, fale sem receios e compartilhe as informações necessárias. Não hesite em dizer tudo, incluindo as questões que o intrigam, as que você acha pouco importantes e até aquelas que parecem ridículas. 

A cura pela homeopatia pressupõe que a pessoa aceite se conhecer melhor, se debruçar sobre o passado e expressar fatos ou sensações que, aparentemente, às vezes não têm nada a ver com o motivo da consulta.

Muitas características de sua personalidade, comportamento e reações podem ser valiosas, mesmo se você considerá-las insignificantes, pois, afinal, você convive com elas há muitos anos. Embora não pareçam ser importantes, frequentemente elas fornecem a chave para o homeopata encontrar o medicamento mais adequado para você.

Referência Bibliográfica: SERVAIS, Dr. Philippe M. (org.). Larousse da Homeopatia. São Paulo: Larousse do Brasil, 2002.